SÃO PAULO - A Petrobras já aumentou a produção de petróleo no segundo semestre e prevê fechar 2004 produzindo uma média de 1,573 milhão de barris/dia, revertendo a trajetória de queda de 4,9% na produção de petróleo verificada até junho. "Essa média semestral é a maior produção da história da companhia", ressaltou o diretor de exploração e produção da Petrobras, Guilherme Estrella. Parte da melhora do resultado será impulsionada pelo início da produção da FPSO Marlim Sul, no campo de mesmo nome, e à entrada em operação da P-43, que será instalada no campo de Barracuda.
Essa plataforma, que sairá do estaleiro Mauá Jurong no dia 9 de outubro, será em seguida conectada aos poços de produção já prontos no campo de Barracuda, na bacia de Campos, começando a operar produzindo 40 mil barris por dia. A expectativa é de início rápido da produção porque toda a parte submarina do projeto já está concluída e só será necessário conectar a plataforma aos poços no fundo do mar.
A expectativa de Estrella é de que até o final deste ano a P-43 tenha aumentado progressivamente esse volume, chegando em meados do primeiro semestre de 2005 à sua capacidade máxima de produção, que é de 150 mil barris/dia. Ontem, o diretor comemorava não só o fim das obras da P-43 como a chegada no estaleiro Mauá Jurong do casco da P-50, que também estava em Cingapura e chegou ontem antecipadamente ao Rio, onde serão iniciadas as obras de complementação e instalação dos módulos.
Outra plataforma que está em fase final de construção no estaleiro Brasfels (antigo Verolme) é a P-48, "gêmea" da P-43 e que irá para o campo de Caratinga, cuja produção está sendo desenvolvida junto com a de Barracuda.
Os dois projetos custaram US$ 3,1 bilhões, aí incluídos os investimentos em materiais, equipamentos e serviços de perfuração, além dos juros durante a construção. Para tocar a engenharia, montagem e construção das duas plataformas foi contratada a Kellogg Brown and Root (KBR), subsidiária da americana Halliburton e criada uma sociedade de propósito específico (a BCLC), que foi 100% financiada por bancos privados e instituições de fomento como a japonesa JBIC.
Ontem, Estrella voltou a repetir que o aumento da produção em 2004 permitirá antecipar para dezembro de 2005 a meta de auto-suficiência do país, quando a Petrobras deverá estar produzindo cerca de 1,85 milhão de barris/dia, para um consumo da ordem de 1,8 milhão de barris. A meta anterior previa chegar à auto-suficiência apenas em 2006, mas ela foi antecipada em função da queda da demanda por derivados no país nos últimos anos, situação que agora está se revertendo.
O diretor frisou, entretanto, que a meta só será antecipada se o consumo de derivados no Brasil se mantiver estável em relação aos números verificados no primeiro semestre do ano. Após três anos de queda, a Petrobras já contabiliza um aumento médio de 6% nas vendas de derivados, mesmo considerando o aumento a redução das vendas de óleo combustível e gasolina, efeito da substituição desses combustíveis pelo gás natural tanto o de uso industrial quanto o veicular. Agora, Estrella diz que até aceita adiar novamente a meta se for por causa do crescimento econômico do país.