É a confusão da sopa de letrinhas: depois
do "just in time" (JIT) apareceu QR, CR, EDI, ECR, SCM, VMI, CPFR, CPC etc. Sabe
para quê? Para reabastecer o estoque de alguma forma em algum lugar.
Isso é tão simples como o secular método das duas gavetas: em uma você tem o estoque
reserva e na outra, o estoque que está consumindo. Assim que essa segunda gaveta
esvazia-se e você passa a consumir o estoque da primeira (sem reserva), algo como uma
ficha ou Kanban ou um parâmetro qualquer, em um sistema de controle de estoques, libera
uma requisição ou novo pedido para reabastecer aquele item que atingiu o ponto de
reposição. Este é o método que qualquer dona de casa utiliza para repor o botijão de
gás em seu lar para nunca ficar "na mão". Mas os homens, em particular os
adeptos das complicações dos métodos heurísticos, nunca se deram por satisfeitos com
esta metodologia simples e assim, desde o surgimento do "PICS" ("producting
requirements planning"), fórmulas e parâmetros foram inventados para automatizar
esse elementar princípio. E o que temos hoje? Várias técnicas e métodos têm sido
inventados, copiados e melhorados, tudo para repor o estoque consumido e assegurar o
atendimento com o menor inventário possível. O pior de tudo isso é que cada
"inventor" alega que seu sistema ou método é o melhor e |
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que todos os outros estão obsoletos. Assim
surgiu o sistema Kanban, um método criado por Taichi Ohno e baseado no sistema de
reposição de prateleiras de supermercados que foi a base para o Sistema Toyota de
Produção, conhecido no Ocidente como JIT e agora, "lean production
". Porém, como o modelo parecia ser aplicável apenas nos
ambientes automobilísticos, apareceram outros "descobridores" de técnicas para
resposta rápida, tal como o QR ("quick response"), aplicado ao ambiente de
confecções. Não demorou muito apareceram as promessas do EDI (intercâmbio eletrônico
de dados) e do ECR (resposta eficiente ao consumidor), uma filosofia de reabastecimento
contínuo (CR) do estoque em prateleiras no ambiente dos supermercados.
E não demorou muito para que outros sistemas aparecessem. O VMI (inventário gerenciado
pelo fornecedor) é um deles. Esse é um modelo de reposição cuja responsabilidade é do
fornecedor, ou seja, o cliente (supermercadista) apenas disponibiliza o local (espaço)
para o fornecedor (vendedor) mantê-lo sempre abastecido. Esse modelo foi a base para os
modelos de SCM (gerenciamento da cadeia de abastecimento), na qual desde os fornecedores
dos fornecedores até os varejistas estão em uma cadeia onde o princípio básico é
repor (rapidamente) aquilo que foi consumido do estoque, baseados em |
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um processamento rápido da informação ao
longo de toda a cadeia de abastecimento.
Com o princípio de fazer alianças e acreditando que a competição se dará entre
cadeias de abastecimento e não entre empresas, surgiu a filosofia do CPFR (planejamento,
previsão e reabastecimento colaborativos), onde clientes (varejo) e indústria
(fornecedores) são igualmente responsáveis pela previsão de compras e vendas, criando
um modelo de reabastecimento do estoque baseado em alguma das técnicas aqui discutidas,
sendo que preferem as relacionadas à tecnologia da informação, incluindo a internet,
cujos custos de processamento são viáveis a todos os integrantes da cadeia. Agora surge
também o CPC ("commerce planning colaboration"), um modelo de previsão
colaborativa entre fornecedores e clientes para uma rápida reposição e otimização dos
recursos da cadeia de abastecimento.
Desta forma, seja qual for a metodologia adotada para repor seus estoques, tenha certeza
de que esta "sopa de letras" só demonstra que existem muitos recursos para
realizar a reposição e que basta escolher o que melhor se encaixa em seu sistema de
trabalho. E saiba de uma coisa: outros "descobridores" virão e "novas
técnicas" surgirão, sempre prometendo velhas coisas! |
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