Katoen Natie vai construir
mais centros de distribuição
O grupo belga Katoen Natie do Brasil, especializado em logística e com sede em Paulínia (SP), vai implantar um novo sistema de logística de distribuição de produtos industriais no país. O financiamento para o projeto, no valor de R$ 40 milhões, foi liberado pelo BNDES (nacional de desenvolvimento), na segunda quinzena de janeiro.
O projeto prevê a ampliação do CDM (centro de distribuição multimodal) de Paulínia e a construção de mais três centros (Camaçari, na Bahia; Suape, em Pernambuco e Araucária, no Paraná). Segundo a empresa, no total serão investidos R$ 97 milhões. Com esses recursos, serão construídos 16 armazéns, 52 silos, quatro pátios de contêineres, quatro ramais ferroviários, escritório central e
infra-estrutura.
Em Paulínia, além dos dois armazéns inaugurados em março do ano passado, mais
seis serão construídos. Um deles, da Cabot do Brasil, deve entrar em operação dentro de dois meses.
Com a liberação da financiamento do BNDES, a Katoen Natie pretende iniciar as obras do CDM de Camaçari (BA), previsto para entrar em operação em julho. "Estamos acertando o contrato com a Ferrovia Centro Atlântico (FCA), que vai construir o Terminal Ferroviário", afirma o diretor-presidente da Katoen
Natie, José Henrique Bravo Alves. Ele lembra, porém, que a construção dos armazéns depende da demanda de mercado. Camaçari é um centro produtor de resinas petroquímicas, cuja maior parte do consumo está no Estado de São Paulo. O terminal servirá também como centro de distribuição de bens de
consumo, fabricados na região Sul, para o Nordeste.
O CDM de Araucária deverá ser inaugurado entre dezembro e janeiro de 2003. Paralelamente, serão iniciadas as
obras do centro de Suape. O objetivo da Katoen Natie, que pertence ao
grupo belga Katoen Natie / Seaports Terminals, é instalar centros de distribuição de produtos próximos aos clientes finais, viabilizando a manutenção de estoques perto dos clientes
consumidores. Segundo o BNDES, dentre os méritos do projeto da empresa destacam-se o conhecimento, em benefício das empresas brasileiras, de tecnologia logística
já dominada no exterior e a construção de parcerias com o setor ferroviário, especialmente com o transporte de cargas não-cativas e com o planejamento de
fluxos de carga nos dois sentidos.
Fundada em 1855, a empresa começou as atividades armazenando algodão, como o próprio nome sugere (katoen - algodão), passando a operar com outros produtos, como ferro, aço, borracha e autopeças, papel, café e petroquímica, somente a partir de 1945. Com sede na Antuérpia, o grupo opera terminais em 14 países, entre os quais França, Espanha, Suécia, Reino Unido, Holanda, Alemanha, Itália, China, Tailândia, Cingapura, Uruguai e Estados Unidos.
No Brasil, ele opera desde1991, inicialmente por meio da Job Representações e Serviços Ltda. Em 1997, a Job associou-se ao Grupo Katoen Natie / Seaport Terminals e, um ano depois, alterou a razão social para Katoen Natie do Brasil Ltda. Suas filiais estão nos estados da Bahia, Alagoas, São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná e Rio Grande do Sul. A empresa presta serviços a indústria petroquímica em atividades como embalagem, movimentação, armazenamento, expedição de produtos e administração de almoxarifados. Ela atua também também nos setores automotivo, de bens de consumo e de commodities.

ALL desenvolve sistema logístico para a Ripasa

A operadora log[istica ALL (América Latina Logística ) e concessionária da malha ferroviária Sul, desenvolveu um sistema para a Ripasa (papel e celulose) movimentar 2.500 toneladas/mês de papel, das fábricas no interior paulista aos clientes, na Argentina. A Ripasa transportava os produtos para a Argentina (papéis A4, couche e cartão), utilizando um mix que incluía 90% por via marítima e 10% por rodovia. A ALL substituiu a parte marítima pelo transporte rodo-ferroviário.
O sistema traz várias vantagens: redução de custos, com frete mais competitivo. A diferença é repassada pela Ripasa diretamente aos clientes, tornando-os mais competitivos no mercado, além da facilidade e segurança de ter os seus produtos mais próximos das fábricas e de seus clientes, utilizando-se dos terminais ferroviários da operadora logística para a entrega. Ele também prevê maior agilidade nos procedimentos com a documentação aduaneira.
O desembaraço da carga e o lacre dos contêineres são realizados em Tatuí, onde se localiza o terminal intermodal da concessionária. Com isso, abrevia-se o tempo gasto em Uruguaiana (fronteira entre Brasil e Argentina), onde se faz a verificação do lacre. A carga segue diretamente para o terminal ferroviário em Buenos Aires e lá é praticada a nacionalização. "Hoje os produtos são retirados nas nossas fábricas, armazenados, estufados, transportados e entregues diretamente nos clientes,", destaca Moacir Hayashida, chefe do serviço de atendimento a clientes da Ripasa.
Segundo Marcos Bodean, gerente comercial da unidade internacional da ALL, a empresa utiliza um sistema bimodal, envolvendo a retirada das mercadorias das fábricas em caminhões, transporte dos produtos via ferroviária para a Argentina e distribuição final para os clientes, via rodoviária.