NTC reivindica medidas para o efetivo
combate ao roubo de cargas no Brasil

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Rodovias na região metropolitana de São Paulo, nas proximidades da capital: regiões preferidas pelos assaltantes de cargas
A esperança de um combate mais efetivo ao roubo de cargas se renova com a evidência da ligação dele com a base de sustentação do crime organizado no país e depois que o assassinato do prefeito Celso Daniel, de Santo André, região metropolitana de São Paulo, colocou para o governo um desafio que precisa ser superado o mais urgente possível: o combate à violência que atingiu, principalmente nas metrópoles, um grau apavorante para a sociedade.
Em mensagem ao ministro Aloysio Nunes Ferreira (da Justiça), o presidente Geraldo Vianna aponta algumas providências que, adotadas de imediato pelo governo, podem contribuir para um resultado mais satisfatório no combate ao crime organizado (veja ao lado). Todas elas estão relacionadas ao roubo de cargas, um crime que, há mais de duas décadas, vem causando prejuízos para as empresas do segmento e, o pior, o seqüestro e até assassinatos de motoristas. No documento, Vianna expõe um fato da maior importância para o combate ao crime organizado: a conclusão da CPI do roubo de cargas, segundo a qual esse tipo de criminalidade é uma pontas do tripé que gera recursos financeiros para sustentá-la - os outros dois, segundo a CPI são os tráficos de drogas e de armas.
A conclusão da CPI, por si só, mais que justifica uma das providências sugeridas pela NTC ao ministro da Justiça: incluir o roubo de cargas entre as modalidades de crime cujo combate é responsabilidade da Polícia Federal. Além disso, é fato também a grande mobilidade do roubo de cargas em todas as regiões do país. Isso faz com que ele não possa ser
Principais pontos
do documento da NTC
enviado ao ministro da Justiça

ØØØ Qualquer plano contra a violência só será completo se incluir providências urgentes de combate ao roubo de cargas. A comprovar esta tese estão a CPI do narcotráfico, que demonstrou cabalmente que a carga roubada funciona como moeda de troca para aquisição de drogas, e a própria CPI do roubo de cargas, que evidenciou que este tipo de crime, por ser de caráter supra-estadual, exige a articulação das forças policiais e de inteligência, com vistas a uma ação uniforme e a uma repressão eficaz.

ØØØ Inclusão das seguintes providências, entre as medidas emergenciais ora em estudo no âmbito do governo federal: agilizar a tramitação dos projetos do deputado federal Mário Negromonte, atualmente prontos para serem votados na Comissão de Justiça da Câmara dos Deputados, a saber, o PLC - 187/97, que cria o Fundo Nacional de Combate ao Furto e Roubo de Veículos e Cargas; e PL 2097/99, que cria o Sistema Nacional de Prevenção, Fiscalização e Repressão ao Furto e Roubo de Veículos e Cargas, estabelecendo mecanismos de colaboração entre a União, os Estados e o Distrito Federal;

ØØØ Incluir no banco de dados INFOSEG, desse Ministério, as informações sobre cargas roubadas, como número de lote de fabricação, número seqüencial etc., a exemplo do que já é feito para medicamentos; e

ØØØ incluir o roubo de cargas entre as modalidades de crime organizado cujo combate deva ser de competência da Polícia Federal.

ØØØ Só a mobilização da sociedade será capaz de reverter o quadro de violência com que nos deparamos atualmente, sem o que todos os esforços rumo ao progresso serão inócuos. É por isso que, ao nos declarar engajados nessa luta, temos certeza que nossas sugestões merecerão, como sempre, a melhor atenção por parte de Vossa Excelência