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Compatibilidade entre o tráfego de caminhões vazios
com eixos suspensos e a Resolução Contran 12/98

Por Neuto Gonçalves dos Reis*

Introdução
  Utilizados no país há mais de dez anos, os suspensores de eixo contribuem para reduzir os custos operacionais do transporte, em especial as despesas com consumo pneus, combustível e manutenção, quando os caminhões trafegam vazios.
Cabe analisar, no entanto, se esta prática é compatível com os limites de peso por eixo estabelecidos pela Resolução 12/98 do Contran, ou seja, 10 t por eixo isolado e 8,5 t por eixo em tandem.
Para tanto, examinam-se aqui algumas configurações mais usuais, como as carretas de dois e três eixos, o cavalos 6x4 ou 6x2 e os caminhões trucados.
 
Semi-reboques longos de 3 eixos
  Estes são os semi-reboques mais pesados,não só porque têm mais eixos como também porque, quanto mais longo o equipamento, maior o seu peso próprio. De acordo com os catálogos dos fabricantes, um semi-reboque tipo furgão de três eixos e comprimento de cerca de 15 m tem tara máxima de 8,2 t, que se distribui entre os eixos da própria carreta e o eixo trator do cavalo mecânico. Ainda que a carreta opere, quando vazia, com os dois eixos extremos suspensos, é impossível que o eixo central ultrapasse o limite legal estabelecido pela Resolução 12/98 do Contran, de 8,5 t por eixo em tandem.
  Mesmo tratando-de uma unidade igualmente longa, porém mais pesada, tipo frigoríficada ou sider montado sobre uma base estrutural, cuja massa é da ordem de 9,7 t, ainda assim, o peso próprio concentrado no eixo central da carreta ficaria bem aquém do limite de 8,5 t para eixos em tandem, uma vez que a carga distribui-se entre dois apoios.
  Para demonstrar numericamente tal fato, admita-se, grosso modo, que o peso do tandem tripo seja de 3 t. Restam ainda 6,7 t. Admitindo-se uma distribuição uniforme ao longo dos 15 m da carreta, resultam cerca de 450 kg por metro linear.
Admitindo-se, para a carreta de 15 m, um balanço dianteiro máximo de 2.045 mm, conforme determinam as Normas da ABNT, e um balanço traseiro máximo de 3.500 mm, conforme estabelece a Resolução 12/98, resultaria uma distância entre eixos de 9 455 mm.
Equilibrando-se os momentos em torno do pino-rei e desprezando-se o pequeno avanço deste pino (que alivia os eixos da carreta), resultaria aproximadamente, o seguinte cálculo da reação de apoio R à carga distribuída:
 
9,455R = (- 450 x2,0452/2) + 450x (9,455 + 3,500)2/2 = - 455 + 450x12,9552/2
9,455R = - 941 + 37.762 = 36.821
R = 3.894 kg
R + 3.000 + 3.894 kg = 6.894 kg < 8.500 kg
Eixo 6x4 ou 6x2 de cavalo mecânico Do exemplo anterior, deduz-se:
Peso transmitido pelo peso próprio da carrreta ao eixo do cavalo + 9.700 – 6.894 = 2.806 kg.
Um cavalo Scania 6x4 vazio transmite ao eixo traseiro cerca de 4.200 kg de peso. Logo, se um eixo transitar suspenso:
Peso total no eixo não suspenso = 4.200 + 2.806 = 7.006 kg< 8.500 kg.
 
Semi-reboques longos de 2 eixos
  Se o semi-reboque longo de três eixos, que é o caso mais crítico, atende à Resolução 12/98, quando apoiado no eixo central, diz a lógica que os semi-reboques de dois eixos, por serem mais leves, também atendem.
  Admitindo-se os mesmos balanços e considerando-se que a carga distribuída é aproximadamente a mesma, resultará uma reação de apoio menor, uma vez que o veículo tem um eixo a menos, o que reduz seu peso em cerca de cerca de 1 t.
 
Caminhão trucado
  Admita-se um caminhão trucado tipo VW L 16.220, para 23.000 kg de peso bruto. Este caminhão, vazio, transmite ao eixo traseiro cerca de 3.500 kg. Em relação aos 8.500 kg,
resta ainda uma enorme folga, de 5.000 kg, valor muito superior a peso total da carroçaria que será utilizada.
 
Conclusão
Mesmo que preliminar, esta análise demonstra que a suspensão dos eixos por caminhões trucados, cavalos mecânicos 6x2 e carretas de 2 ou 3 cixos, quando vazios, atendem com folga às exigências de carga máxima da Resolução 12/98 do Contran, pois os pesos por eixo alcançados situam-se muito abaixo dos limites legais.
 
Bibliografia
 
Departamento Nacional de Trânsito (2.000). "Resoluções do Conselho Nacional de Trânsito, Brasília, DF.
 
Autodata Editora (2001). "Guia de Compra de Caminhões", São Paulo, SP.
 
Scat Editora Ltda. (2000). " Anuário Caminhões 1999/2000", São Paulo, SP.
 
Reis, N.G. (1996). "Viabilidade de Operação do Duplo Semi-Reboque de Cinco Eixos. EESC da USP, tese de mestrado.
 
Reis, N.G. (1996). "Implementos Rodoviários". Associação Nacional do Transporte de Cargas, São Paulo, SP.
* M.Sc. em Engenharia de Transportes e Assessor Técnico da NTC.

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