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Análise do artigo “Impacto do retorno vazio sobre os fretes rodoviários”, de Neuto Gonçalves dos Reis

Maria Lúcia Rangel Filardo (FEA/Fipe)

Antonio Augusto Ilario (Fipe)

Cíntia Aparecida Furtado Peixoto (Fipe)

Marcelo Alves de Carvalho (Fipe)

1. Metodologia de cálculo do custo-peso utilizada pela Fipe

A metodologia do cálculo do custo-peso da Carga Fracionada, que é em essência a mesma do INCTA , diferenciando-se desta apenas pela exclusão dos custos relacionados ao ad valorem e ao Gris, é a seguinte:

em que:

CP = custo-peso (R$/t)

A = custo do tempo gasto para carregar, descarregar e esperar carga (R$/t)

B = custo incorrido na transferência da mercadoria (R$/t.km)

X = distância percorrida (km)

C = custos referentes às despesas administrativas e de terminais (R$/t)

Custo do tempo gasto para carregar, descarregar e esperar carga (R$/t)

 

em que:

A = custo do tempo gasto para carregar, descarregar e esperar carga (R$/t)

CF = custo fixo (R$)

H = número de horas trabalhadas por mês (h)

TCD = tempo gasto para carregar, descarregar e esperar carga (h)

CAP = capacidade média de carga efetiva (t)

Quando dividimos o custo fixo (CF) pelo número de horas trabalhadas em um mês (H) chegamos a um valor em reais por hora (R$/h). Para calcularmos o custo do tempo gasto para carregar, descarregar e esperar carga, devemos multiplicar este valor encontrado pelo total de horas gastas nestas operações (TCD). Esse valor será tanto maior quanto maior for o tempo gasto nessas operações e representa um custo incorrido pelas empresas que deverá ser coberto independentemente do volume transportado em um caminhão.

Como na fórmula de cálculo de A devemos chegar a um valor em reais por tonelada (R$/t), dividimos o valor encontrado anteriormente pela tonelagem efetivamente transportada em um caminhão. Vale lembrar que CAP representa a capacidade média de carga efetiva, ou seja:

CAP = CAPT(1-Om)

ou

em que:

CAP = capacidade média de carga efetiva (t)

CAPT = capacidade líquida do veículo representativo (t)

Om = taxa de ociosidade média

Oi = taxa de ociosidade do percurso de ida

Ov = taxa de ociosidade do percurso de volta

logo:

ou se Oi = 0 e Ov = 1,

Não importando quantas toneladas o caminhão transporte, o montante dos custos incorridos deverá ser cobrado dos clientes. Desta maneira, a fórmula de cálculo assume um valor para CAP que contempla a taxa média de ociosidade com a qual o caminhão opera. Se o caminhão não operar com nenhuma ociosidade, o valor de CAP coincidirá com a capacidade líquida do caminhão. Em caso de ociosidade, o CAP representará a capacidade líquida do caminhão descontada a taxa média de ociosidade, que é obtida através da média aritmética entre a ociosidade do percurso de ida e do percurso de volta.

Custo de transferência (R$/t.km)

ou

em que:

B = custo de transferência (R$/t.km)

CF = custo fixo (R$)

H = número de horas trabalhadas por mês (h)

V = velocidade média do veículo (km/h)

CV = custo variável (R$/km)

CAP = capacidade média de carga efetiva (t)

CAPT = capacidade líquida do veículo representativo (t)

Oi = taxa de ociosidade do percurso de ida

Ov = taxa de ociosidade do percurso de volta

O custo de transferência em reais por quilômetro (R$/km) é calculado através da soma de uma parcela referente aos custos variáveis (CV) e outra que é obtida pela divisão do montante dos custos fixos (CF) pelo produto entre o número de horas trabalhadas em um mês (H) e a velocidade média que o veículo trafega (V). Este valor encontrado deve ser dividido pela variável CAP (que é apurada da mesma maneira descrita no cálculo do custo do tempo gasto para carregar, descarregar e esperar carga), para que se obtenha um valor em reais por tonelada.quilômetro (R$/t.km). Este é o valor para se transportar uma tonelada no percurso de um quilômetro. O custo total de transferência em um determinado percurso deve ser multiplicado pela variável X que corresponde à distância percorrida em quilômetros (km).

Custos relacionados às despesas administrativas e de terminais (R$/t)

em que:

C = custos relacionados às despesas administrativas e de terminais (R$/t)

DAT = despesas administrativas e de terminais (R$)

TEXP = tonelagem expedida (t)

c = coeficiente do uso de terminais

Para o cálculo do item C, divide-se o montante das despesas administrativas e de terminais (DAT) por uma tonelagem expedida (TEXP) que assume o valor efetivamente transportado pelas empresas, e multiplica-se esse resultado pelo coeficiente de uso dos terminais (c). Cabe ressaltar que, dada uma estrutura de terminais e de custos existente nas empresas, existe um potencial instalado capaz de movimentar um montante de toneladas que denominaremos de tonelagem potencial. A TEXP utilizada na fórmula de cálculo pode ser igual ou inferior a esta tonelagem potencial. Caso a TEXP seja inferior à tonelagem potencial, o valor cobrado dos clientes será tanto maior quanto menor for o número que esta variável assumir.

Tanto a variável CAP como a variável TEXP, encontram-se nos denominadores das fórmulas de cálculo e provocam um aumento nos custos envolvidos quanto menores forem os seus valores. Isso explica o agravamento dos custos incorridos pelas empresas por operarem abaixo do seu potencial. A ociosidade existente provoca uma diminuição da ocupação efetiva dos veículos e, consequentemente, do volume transportado no decorrer de um período.

2. A Ociosidade com fator de agravamento dos custos

A taxa de ociosidade utilizada nas fórmulas de cálculo corresponde à taxa média entre o percurso de ida e o percurso de volta, ou seja:


em que:

Om = taxa de ociosidade média

Oi = taxa de ociosidade do percurso de ida

Ov = taxa de ociosidade do percurso de volta

A existência desta ociosidade (o caminhão trafega com uma tonelagem abaixo da sua capacidade), gera um fator de agravamento dos custos (F) que é descrito desta maneira:

 

 

 

O fator de agravamento descrito em Reis é o seguinte:

 

 

em que,

r = 1 – Ov

portanto,

Como

 

Então

O fator de agravamento (F) implícito nas fórmulas de cálculo adotadas pela Fipe constitui um caso geral que contempla a ociosidade do percurso de ida e do percurso de volta; a fórmula descrita em Reis representa um caso particular em que a ociosidade do percurso de ida é sempre igual a zero. Portanto, F será igual a f apenas quando a ociosidade do percurso de ida for igual a zero; em todos os outros casos, F será sempre maior que f, ou seja, os custos de A e B são agravados mais intensamente do que no modelo descrito em Reis.

BIBLIOGRAFIA

Filardo, Maria Lúcia Rangel. Atualização da Estrutura de Custos para apuração do INCT

          Fipe/NTC. São Paulo: Relatório de Pesquisa, Fipe, 1999.

Neuto Gonçalves dos Reis,. Impacto do retorno vazio sobre os fretes rodoviários. In:          homepage www.ntc.org.br/retorno_vazio.htm.

ANEXO

O método de cálculo da taxa de ociosidade proposto pela Fipe

Nos questionários que enviamos às empresas na reponderação ocorrida em 2000 e no cálculo dos custos de transporte de Carga Fracionada em 2001, fizemos três perguntas distintas:

a)       qual a capacidade líquida média dos caminhões trucados

b)       qual a ocupação média em toneladas dos caminhões trucados e

c)       a taxa de ociosidade com a qual a empresa opera.

Em 2000, obtivemos como resposta para a primeira pergunta o valor de 13,6 t, para a segunda, 9,32 t e para a terceira, 25,93%. Percebemos que a ociosidade declarada pelas empresas não corresponde à diferença entre a capacidade líquida média e a ocupação média; esta diferença revelou uma ociosidade de 31,47% que é maior do que os 25,93% declarados. Decidimos, então, adotar a ociosidade como a diferença entre a capacidade líquida média e a ocupação média, pois levantamos dúvidas quanto ao procedimento adotado pelas empresas no momento de calcular a ociosidade. Através de alguns contatos junto às empresas, verificamos que em alguns casos as mesmas não consideravam a ociosidade do percurso de volta. Portanto, utilizamos na planilha um valor para a variável CAP de 9,32 t.

Em 2001, elaboramos um exemplo prático para explicarmos como este cálculo deve ser feito. O valor apurado para a ociosidade média foi, neste caso, igual a 43,67%. Consideramos que esta ociosidade é mais realista uma vez que em algumas rotas nas quais as empresas operam o caminhão retorna vazio. O valor obtido para a capacidade líquida do caminhão foi de 12,68 t. Através da aplicação daquela ociosidade sobre esta capacidade líquida, chegamos a um valor para a variável CAP de 7,14 t.

Elaboramos, também, outra maneira mais refinada de se obter a ociosidade, através dos dados de tonelada x quilômetro, quilometragem total rodada, capacidade líquida média do veículo e a quantidade de veículos por categoria. No entanto, as respostas obtidas junto às empresas foram insuficientes para calcularmos a ociosidade da maneira proposta, que apresentamos a seguir, o que nos levou a adotar em nossa planilha o valor de 7,14 t para a variável CAP.

 


em que:

Oi = taxa de ociosidade do veículo

Li  = capacidade total líquida do veículo

Ti  = tonelagem transportada em cada percurso

Qi = quilometragem percorrida em cada percurso

 

 

em que:

Otruck = taxa de ociosidade do truck

ntrk = frota de trucks

åOi = refere-se à ociosidade dos trucks

 


em que:

Ocm = taxa de ociosidade do cavalo mecânico

ntrk = frota de cavalo mecânico

åOi = refere-se à ociosidade dos cavalos mecânicos

 


em que:

pt = peso do truck

pcm =  peso do cavalo mecânico

 

 


em que:

CAPtruck = capacidade líquida de carga do caminhão trucado

ntruck  = número total de caminhões trucados

CAPtruck = capacidade líquida de carga do cavalo mecânico

ncm = número total de cavalos mecânicos

 


em que:

CAPtruck = capacidade líquida de carga do caminhão trucado

ntruck  = número total de caminhões trucados

CAPtruck = capacidade líquida de carga do cavalo mecânico

ncm = número total de cavalos mecânicos

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